PAPAI E A RODA DA VIDA
Me vi pastora, me vi cigana,
me vi artista, me vi gitana.
Os campos estavam cobertos de neve
mas eu,
não sentia frio
e nem o poderia,
pois tu lá estavas pai
e me aquecias.
Nas carroças: as festas, os pandeiros soando,
a música, os lenços multicores, os talismãs dourados,
as leituras de sorte, as desavenças,
mas eu, pai,
nada percebia,
pois por mim tu zelavas.
Nos palcos, nos teatros e salões não tinha eu,
medo e nem pavor
pois de tudo tu cuidavas,
me livrando de emoções;
com as brumas das manhãs chuvosas,
nem me preocupava,
até sorria,
eras meu Anjo Guardião e por mim sei que morrerias.
Hoje,
depois que a roda da vida girou, girou, girou
e num giro incessante te levou inesperadamente
me pergunto:
e agora, que fazer?
não tenho quem me aqueça,
quem me zele,
quem me cuide,
nem o amor mais sincero.

Comentários
Postar um comentário